Gustavo Bolivar és peruano, 28 años, assit. waiter... y mi amigo amadoooo!
Quem é do mar não enjoa
O blog está aberto para demais contribuições de quem já teve experiência a bordo de qualquer navio. Aqui é a VIDA REAL de um tripulante, apenas DIVIDO INFORMAÇÕES para que cada um faça sua escolha. Bem-vindos!!!
24/01/2012
19/01/2012
Vídeos dentro do Concordia
Como vocês sabem, roubaram meu note logo que desembarquei... O que sobrou tá online, descobri que dá pra postar vídeo do FB aqui.
1. drill de passageiros em Savona, quando eu não tinha mais duty em drill que não fôsse fotografar.
2. quando eu tava pra desembarcar o Concordia entrou em dry doc em Palermo
3. com Tati à caça de vino!
1. drill de passageiros em Savona, quando eu não tinha mais duty em drill que não fôsse fotografar.
2. quando eu tava pra desembarcar o Concordia entrou em dry doc em Palermo
3. com Tati à caça de vino!
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17/01/2012
DRILLS by Fernando Ferreira de Sousa
01 de novembro de 2009: fazia frio, muito frio no porto de Savona às 9 da manhã e eu a posto para embarcar no Costa Concordia. Malas, passaporte, exames médicos e várias esperanças para os próximos 8 meses. Logo nas primeiras horas a bordo, fui bombardeado de informações. Trabalho, uniforme, schedule, cabine e segurança! Sim, segurança. Eu havia enfrentado um vôo de 12 horas até Milão,viajado mais 3 em uma van desconfortabilíssima até Savona.
Tinha acabado de embarcar e precisava ficar acordado até às 15 horas para receber as primeiras informações sobre segurança de bordo. Os oficiais de segurança de bordo eram dois italianos grossos que faziam com que 2 minutos de atraso virassem um warning (3 warnings significam desembarque). E que às vezes praticavam bullying corretivo com quem ia mal na prova ou não entendia direito o inglês macarrônico deles.
Logo no meu primeiro dia tive a experiência que me tiraria o sono todos os domingos às 17h, horário exato em que o navio partia do porto de Savona. Aí tinha início o drill de passageiros, onde eu mesmo trabalhando todos os dias da meia noite ao meio dia, tinha que acordar no meio do meu sono para realizar junto a todo o resto da tripulação o treinamento geral de segurança de bordo. Sim, esse treinamento geral acontecia apenas 1 vez por semana no porto de Savona. Muitos dos passageiros se recusavam a participar desse exercício.
Eu particularmente ficava muito chocado quando os passageiros se recusavam a participar. Pois fazia parte de um time chamado Tango Hotel (existem vários times responsáveis por vários procedimentos durante a emergência) , que era responsável por retirar em segurança pelas escadas os passageiros portadores de dificuldade de locomoção desde idosos a cadeirantes, esses eram carregados por 4 tripulantes até as áreas de desembarque.
Os passageiros do Costa Concórdia embarcavam todos os dias em todos os portos. E para esses passageiros era dada uma palestra no teatro onde o diretor de cruzeiro explicava a todos os procedimentos de emergência. Posso falar que essa explicação muitas vezes era dada para meia dúzia de passageiros, de centenas que embarcavam, pois a maioria não atendia às solicitações anunciadas exaustivamente nos alto-falantes do navio em seis ou sete línguas.
Não consigo descrever o que sinto quando vejo os passageiros divulgando que a equipe de crew era despreparada para a situação de emergência do Costa Concórdia pois esses mesmos passageiros que reclamam da falta de preparo provavelmente são os mesmos que no momento do treinamento se recusaram a participar ou então levaram isso como atração de férias tirando fotos e pouco se preocupando com o que era dito pela ponte de comando. Além desse treino com os passageiros toda semana, a tripulação fazia a cada 15 dias, geralmente no porto de Marseille, França, uma simulação de emergência geral e abandono do navio.
Perdi as contas de quantas as vezes eu fiquei sob sol de 35 graus ou sob um frio de 10 graus em pé por uma hora ou mais para que o treinamento saísse perfeito. Nesse treinamento eram checados todos os itens para que em uma situação real de emergência tudo saísse do jeito correto e sincronizado. Eu não estou tentando tirar a culpa do acidente da empresa ou mesmo dizer que isso não foi um erro humano. Pelo contrário, acredito muito em erro humano.
Aliás, acho inadmissível um acidente como esse no dias de hoje em um navio tão moderno. Porém, quando dizem que a tripulação não era preparada, eu os defendo como se fôssem parte da minha família. E que mesmo depois de 12 horas exaustivas de trabalho fariam o possível para ajudar no salvamento dos passageiros. Sinceramente, quando vi na TV na noite de sexta feira 13 o Concórdia afundando e as notícias vazias na internet, fiquei estarrecido e muito triste mas ao contrário do que acontecia na nave naquela noite fria da sexta feira 13 de janeiro, as minhas memórias dos momentos vividos naquele navio emergiam e vinham à tona mais fortes como se tudo tivesse sido vivido ontem com as pessoas que conheci e percebi como esse erro ridículo estragou o momento de muitos outros tripulantes, momento esse vivido com sucesso durante 9 meses por mim há 2 anos atrás na mesma nave.
Fernando Ferreira de Sousa, 23 anos, estudante de Arquitetura, de Campinas - SP. O Fer exerceu bravamente a função de housekeeping steward a bordo do Costa Concordia, European season, 2010.
NA FOTO em Barcelona, numa loja de sucos naturais de um argentino que falava português perfeitamente, depois de um passeio de horas no Park Guell, acampanhado desta que o publica, tua amiga e fã de carteitrinha, Ana Tellini.
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16/01/2012
Carga horária
No Brasil a carga horária é de 44 horas semanais, na França é de 36, mas nos Navios da Costa trabalha-se em média 70 horas semanais, sem nenhuma remuneração extra e quem ousar reclamar para o chefe ouve: “If you are not happy, I`ll give your sign off paper” (quer dizer: se não está feliz te dou o formulário para você pedir demissão).
Assim perdendo muitas vezes até o direito de receber o salário do mês, pois te dizem que pagaram passagem aérea e investiram para o novo tripulante chegar, e em caso de demissão, o trabalhador deve arcar com este ônus.
Cada tripulante para embarcar, desembolsa em média R$2.000,00 entre curso da Marinha, exames e estadia para fazer os cursos da companhia que são ministrados em Santos com estadia e alimentação por conta do candidato.
Ou seja, para quem desembolsa este dinheiro, para começar a trabalhar, muitas vezes já chega endividado, e quando se depara com esta situação de abuso por parte da empresa, vê a demissão como uma derrota ainda maior pelas dívidas contraídas e aceita a condição de trabalho muito diferente do que foi prometido pelo agente e pelo que diz no contrato, que é assinado da seguinte maneira: de 8 a 11 horas de trabalho diárias, sábado 4 horas e domingo livre, sendo o excedente pago em horas extras.
Sei que isto é utopia para quem conhece o mundo dos navios , mas é isto que está assinado em contrato e não é cumprido. Acredito que no patamar em que o Brasil está chegando, de nação de respeito, desenvolvida e rica, este tipo de atitude se assemelha com a das confecções que contratam bolivianos sem direito algum para trabalharem trancados muitas horas por dia e recebem por isso muito pouco.
Podem dizer que os tripulantes ganham bem e por isso se sujeitam a isso... Mentira.
Os salários de hoje estão em média de US$ 800 por mês, sem direito a férias, horas extras, recisão em caso de demissão...
A hora é de as autoridades competentes olharem um pouco para este lado do turismo, que vem crescendo a passos largos em nosso país, devido à enorme crise que afeta os europeus, ao forte mercado brasileiro, e também à exposição de nosso país na mídia que atrai cada vez mais navios para virem buscar clientes aqui em nossas águas.
Estamos falando também de uma situação em que estas empresas de navios tiram turistas e empregos dos nossos hotéis e resorts, assim gerando menos emprego e renda nas regiões turísticas do país.
Deveria ser seguido o exemplo dos Estados Unidos, onde existem leis muito rigorosas em relação à segurança da embarcação, normas sanitárias e condições de trabalho da tripulação, para assim quem sabe em 2014 e 2016 possamos fazer um bom trabalho e deixarmos um legado de respeito e tranqüilidade tanto para turistas e trabalhadores envolvidos com os turistas que já temos e os que ainda estão por vir.
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O mundo dos Navios de Cruzeiros... Nem tudo é como parece...
Esta semana vimos em tempo real um acidente que poderia ser lembrado como o do Titanic, não fosse pela proximidade da costa Italiana (Ilha Giglio), devido ao despreparo dos tripulantes, ao projeto mal feito do Navio, em que os “Tenders” que são os botes salva-vidas, não foram içados como deveria e a um Comandante incompetente e irresponsável.
A Costa Cruzeiros, que é a proprietária do Navio, é protagonista de mais um acidente, que deixa vítima fatal como o ocorrido em 2010 com o Costa Europa, e mais uma vez peca pela negligência, e desrespeito total aos seus tripulantes e hóspedes.
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No acidente anterior em 2010, que foi pouco divulgado aqui no Brasil, morreram três tripulantes que dormiam na cabine, sendo um deles brasileiro, quando o Navio bateu no pier durante o atracamento no porto de Sharm El Sheik, no Egito.
Neste acidente, todos foram obrigados a desembarcar, muitos deles deixando tudo para trás e a empresa pagou a cada tripulante a indenização de 500 euros por tripulante por todas as perdas.
No acidente desta semana, presenciamos um Comandante preso por negligência e homicídio culposo, e a Costa Cruzeiros coloca toda a responsabilidade no Comandante, como é de praxe na empresa, isentar-se de responsabilidades.
Aliás, isentar-se de responsabilidades parece ser costumeiro nesta empresa, que este ano está com diversos Navios aqui no Brasil, incluindo os navios da Ibero Cruzeiros, que também pertencem à Costa Cruzeiros.
Rodrigo Mora é fotógrafo, 36 anos, natural de São Paulo - SP e reside em Florianópolis, SC.
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16/01/2012 CONVOCAÇÃO
Gente, sábado às 7h30 eu fui informada da tragédia, domingo passei o dia vendo vídeos, fotos e me informando do acontecido, checando amigos que continuam embarcando, por onde andam e tals...
Hoje é dia da REAÇÃO. Faz um tempo que quero convidar mais pessoas pra escrever pro blog, que deixou de ser meu diário de bordo para prestar um serviço aos futuros tripulantes e interessados na vida de bordo.
Nessa nova fase do blog, contaremos com a colaboração do fotógrafo Rodrigo Mora, que trabalhou anos pela Costa e tantos outros em outras cias de cruzeiros, sempre como fotógrafo.
QUERO CONVIDAR A TODOS os ex-tripulantes do Costa Concordia pra terem suas estórias publicadas aqui no blog, que hoje deixa de ser da Anita Tellini pra ser de todos nós, gente real que fez História num navio que não navegará mais.
Há quem não goste de escrever (pecado), então pode mandar um vídeo que gosta, contar alguma coisa através de fotos. Ninguém aqui é expert em segurança de navio, nosso objetivo NÃO é manchar o nome de nenhuma cia, mas proporcionar uma leitura da real vida de bordo às pessoas interessadas em embarcar.
Todos temos um carinho por aquele lugar, nos conhecemos lá, passamos os melhores e piores momentos da nossa vida a bordo do Costa Concordia. SINTAM-SE LIVRES PRA ESCREVEREM SOBRE O QUE QUISEREM. Enviem para o e-mail do blog: anaclaratellini@gmail.com
EU FARIA TUDO DE NOVO!!! E VOCÊS???
Hoje é dia da REAÇÃO. Faz um tempo que quero convidar mais pessoas pra escrever pro blog, que deixou de ser meu diário de bordo para prestar um serviço aos futuros tripulantes e interessados na vida de bordo.
Nessa nova fase do blog, contaremos com a colaboração do fotógrafo Rodrigo Mora, que trabalhou anos pela Costa e tantos outros em outras cias de cruzeiros, sempre como fotógrafo.
QUERO CONVIDAR A TODOS os ex-tripulantes do Costa Concordia pra terem suas estórias publicadas aqui no blog, que hoje deixa de ser da Anita Tellini pra ser de todos nós, gente real que fez História num navio que não navegará mais.
Há quem não goste de escrever (pecado), então pode mandar um vídeo que gosta, contar alguma coisa através de fotos. Ninguém aqui é expert em segurança de navio, nosso objetivo NÃO é manchar o nome de nenhuma cia, mas proporcionar uma leitura da real vida de bordo às pessoas interessadas em embarcar.
Todos temos um carinho por aquele lugar, nos conhecemos lá, passamos os melhores e piores momentos da nossa vida a bordo do Costa Concordia. SINTAM-SE LIVRES PRA ESCREVEREM SOBRE O QUE QUISEREM. Enviem para o e-mail do blog: anaclaratellini@gmail.com
EU FARIA TUDO DE NOVO!!! E VOCÊS???
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09/11/2011
TO ALL SAILORS
Exactly one year ago I desembarked from Costa Concordia and I'd like to THANK YOU all special people who came into my life when I was having a big challenge. You taught me many things about different languages and cultures, but especially about LIFE and about myself.
I'm a people's person and that's why there is no nationality in my heart, I LOVE each one of you because of your personalities and most of all, 'cause you showed me that my honest SMILE would guide me through any hard time...
You made me feel beautiful when I was miserable, you were there for me when I was in pain. We shared difficulties and great moments in and out of the shipaaaa. THANKS A LOT.
This year my mother passed away, and I'd probably be depressed if I hadn't had this ship experience. Life is moving on, I'm teaching English for Brazilians in Florianopolis, a nice island in the South of Brazil. COME ANY TIME.
I'm glad to be ALIVE and with you guys I learned that we have to LIVE TODAY as if it were the last day. For that, I THANK YOU once again.
We're still together, no mather how far we go.
Love,
Ana Clara Tellini Figueredo
I'm a people's person and that's why there is no nationality in my heart, I LOVE each one of you because of your personalities and most of all, 'cause you showed me that my honest SMILE would guide me through any hard time...
You made me feel beautiful when I was miserable, you were there for me when I was in pain. We shared difficulties and great moments in and out of the shipaaaa. THANKS A LOT.
This year my mother passed away, and I'd probably be depressed if I hadn't had this ship experience. Life is moving on, I'm teaching English for Brazilians in Florianopolis, a nice island in the South of Brazil. COME ANY TIME.
I'm glad to be ALIVE and with you guys I learned that we have to LIVE TODAY as if it were the last day. For that, I THANK YOU once again.
We're still together, no mather how far we go.
Love,
Ana Clara Tellini Figueredo
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A MIS AMIGOS LATINOS
Hace un año que me desembarque de Costa Corcordia y me gustaria dar GRACIAS a todos mis amigos latino americanos, para mi no hay fronteras, somos un solo corazón. A cada paisano mio que se desembarcava, un latino venia a trabajar en su lugar, y despues de darme cuenta de lo lindo que es ser brasileña, ustedes me ENSEÑARAM que yo era también latina, entonces passe a hacer parte de una familia que no es hecha por peruanos, colombianos, paraguayos ni hondurenhos, pero una familia de nombre CARIÑO.
La mayor parte de ustedes tenia mas experiencia que yo, y no solo aprendi a trabajar con mas ALEGRIA, pero tambien encontre mi lugar, que era al lado de mi gente, los que hacen fuerza para mantener todo caminando. Entonces GRACIAS por la comida, bebida y fiestas en cabinas, pero mas GRACIAS por acceptarme como soy de pecho abierto.
Creo que todos sepam que vivi 2 meses en Colombia con el famoso Flaco, entonces creo que pueda hablar español con ustedes el proximo encuentro. Si, espero verlos otra vez en mi vida, y quiero que sepam que BRASIL ÉS SU CASA TAMBIEN.
Este año mi madre se murrió y muchos me enviaran mensagens de apoyo y fé, otra vez, GRACIAS HERMANOS. La vida sigue caminando, soy English teacher en una gran escuela de ingles y español en FLORIANÓPOLIS, una isla magica al Sur de Brasil. Mi casa es su casa, DE VERDAD.
Los llevo conmigo donde voy.
Con amor,
Ana Clara Tellini Figueredo
La mayor parte de ustedes tenia mas experiencia que yo, y no solo aprendi a trabajar con mas ALEGRIA, pero tambien encontre mi lugar, que era al lado de mi gente, los que hacen fuerza para mantener todo caminando. Entonces GRACIAS por la comida, bebida y fiestas en cabinas, pero mas GRACIAS por acceptarme como soy de pecho abierto.
Creo que todos sepam que vivi 2 meses en Colombia con el famoso Flaco, entonces creo que pueda hablar español con ustedes el proximo encuentro. Si, espero verlos otra vez en mi vida, y quiero que sepam que BRASIL ÉS SU CASA TAMBIEN.
Este año mi madre se murrió y muchos me enviaran mensagens de apoyo y fé, otra vez, GRACIAS HERMANOS. La vida sigue caminando, soy English teacher en una gran escuela de ingles y español en FLORIANÓPOLIS, una isla magica al Sur de Brasil. Mi casa es su casa, DE VERDAD.
Los llevo conmigo donde voy.
Con amor,
Ana Clara Tellini Figueredo
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AOS MEUS PAISANOS
Há exatamente um ano atrás eu desembarquei do Costa Concordia. Quero AGRADECER a todos aqueles que passaram por meu caminho, aqueles que vibraram comigo em Santos, quando embarcar era apenas um sonho. Mas quero AGRADECER especialmente a esse povo brasileiro que conheci a bordo.
Eu não sabia muito bem a importância de ter paisanos a bordo porque só fiz 17 dias de temporada brasileira, e só percebi que precisava me juntar aos meus quando vi um a um TODOS os brasileiros desembarcarem - sim, eu fui a última brasileira que embarcou no Brasil a desembarcar na Europa. Mas como a vida não é quantidade, mas qualidade, conheci muitos de vocês no fim de contrato e ainda sim construímos uma amizade verdadeira, quase que palpável por nossas fotos.
A gente riu junto, chorou junto, bebeeeeeeu junto, mas acima de tudo, a gente se apoiou contra (a maioria dos) nossos chefes exploradores, tivemos horas lindas e dias únicos fora do navio. Por isso quero dizer OBRIGADA a vocês que enxugaram minhas lágrimas de indignação, que me fizeram sentir bonita mesmo quando eu estava cansada demais, obrigada a vocês que me ENSINARAM que meu sorriso me abriria portas, corações e mentes.
Sempre lutei contra o rótulo de vagabundo que esse povo de navio deus pros brasileiros, o que eu vi lá foi uma gente guerreira, ALEGRE e orgulhosa do seu país. Me disseram que quando eu desembarcasse eu ia perceber que o Brasil era o melhor país do mundo, não nos acho melhor do que ninguém, mas sou nacionalista de carteirinha. O Brasil é a nossa casa, e casa é sempre o melhor lugar do mundo.
Desembarquei dia 9 de novembro de 2010 em Palermo SOZINHA, fui a Milano encontrar o abraço de duas grandes amigas, chorei ao sentir o solo brasileiro em São Paulo e finalmente caí nos braços da minha mãe em Porto Alegre pedindo pra ela não me deixar embarcar nunca mais. NUNCA MAIS não existe e o futuro a Deus pertence, mas o poder de escolha é tudo e eu tirei a Costa da minha vida no dia em que decidi não carregar meus uniformes caros pro outro lado do oceano...
Em janeiro deste ano fui ao Rio de Janeiro e passei por outro processo seletivo de outra cia e decidi não embarcar. Em fevereiro fui de mala e cuia, na verdade não levei meu kit chimarrão, pra Bogotá, Colombia pra viver com meu namorado, que muitos de vocês não conheceram. Em dois meses eu voltei pra minha terra pra me despedir da minha mãe, ela estava com um tumor no cérebro e duas semanas depois que voltei ao Brasil, ela faleceu. Talvez se eu não tivesse passado por essa prova de superação do navio, não teria forças pra escrever pra vocês hoje, mas vocês me ensinaram que a VIDA continua e pode sempre ser melhor.
Meu notebook foi roubado um mês após meu desembarque e por isso não escrevi mais nem postei mais fotos. Mesmo assim, todos nossos momentos estão bem guardados na minha memória - mas quem quiser mandar fotos e vídeos, eu dou meu e-mail!
Então minha mãe morreu dia 7 de abril de 2011 e dia 21 eu estava em Florianópolis pra receber o carinho e o apoio de duas grandes amigas, dois grandes corações que cruzaram meu caminho no Concordia e que acolheram minha dor, respeitaram meus momentos de solidão e me provaram que perto do mar tudo estaria bem. O Fernando (colombiano) viveu aqui no Brasil um tempo também, e nesta fase contei com o apoio de um cara muito especial que fala diversas línguas e tem um coração gigante, cria do Discordia também.
Assim foi, escrevo pra vocês de Floripa, 6 meses já se passaram e estou aqui de English teacher de uma grande escola de inglês. Cada um de nós tomou seu rumo, mas ainda espero reencontrar muitos de vocês.
OBRIGADA pelo carinho brasileiro, pela amizade gratuita e por tudo que vocês me ensinaram. LEVO VOCÊS NO MEU CORAÇÃO ONDE QUER QUE EU VÁ.
Com amor,
Ana Clara Tellini Figueredo
Eu não sabia muito bem a importância de ter paisanos a bordo porque só fiz 17 dias de temporada brasileira, e só percebi que precisava me juntar aos meus quando vi um a um TODOS os brasileiros desembarcarem - sim, eu fui a última brasileira que embarcou no Brasil a desembarcar na Europa. Mas como a vida não é quantidade, mas qualidade, conheci muitos de vocês no fim de contrato e ainda sim construímos uma amizade verdadeira, quase que palpável por nossas fotos.
A gente riu junto, chorou junto, bebeeeeeeu junto, mas acima de tudo, a gente se apoiou contra (a maioria dos) nossos chefes exploradores, tivemos horas lindas e dias únicos fora do navio. Por isso quero dizer OBRIGADA a vocês que enxugaram minhas lágrimas de indignação, que me fizeram sentir bonita mesmo quando eu estava cansada demais, obrigada a vocês que me ENSINARAM que meu sorriso me abriria portas, corações e mentes.
Sempre lutei contra o rótulo de vagabundo que esse povo de navio deus pros brasileiros, o que eu vi lá foi uma gente guerreira, ALEGRE e orgulhosa do seu país. Me disseram que quando eu desembarcasse eu ia perceber que o Brasil era o melhor país do mundo, não nos acho melhor do que ninguém, mas sou nacionalista de carteirinha. O Brasil é a nossa casa, e casa é sempre o melhor lugar do mundo.
Desembarquei dia 9 de novembro de 2010 em Palermo SOZINHA, fui a Milano encontrar o abraço de duas grandes amigas, chorei ao sentir o solo brasileiro em São Paulo e finalmente caí nos braços da minha mãe em Porto Alegre pedindo pra ela não me deixar embarcar nunca mais. NUNCA MAIS não existe e o futuro a Deus pertence, mas o poder de escolha é tudo e eu tirei a Costa da minha vida no dia em que decidi não carregar meus uniformes caros pro outro lado do oceano...
Em janeiro deste ano fui ao Rio de Janeiro e passei por outro processo seletivo de outra cia e decidi não embarcar. Em fevereiro fui de mala e cuia, na verdade não levei meu kit chimarrão, pra Bogotá, Colombia pra viver com meu namorado, que muitos de vocês não conheceram. Em dois meses eu voltei pra minha terra pra me despedir da minha mãe, ela estava com um tumor no cérebro e duas semanas depois que voltei ao Brasil, ela faleceu. Talvez se eu não tivesse passado por essa prova de superação do navio, não teria forças pra escrever pra vocês hoje, mas vocês me ensinaram que a VIDA continua e pode sempre ser melhor.
Meu notebook foi roubado um mês após meu desembarque e por isso não escrevi mais nem postei mais fotos. Mesmo assim, todos nossos momentos estão bem guardados na minha memória - mas quem quiser mandar fotos e vídeos, eu dou meu e-mail!
Então minha mãe morreu dia 7 de abril de 2011 e dia 21 eu estava em Florianópolis pra receber o carinho e o apoio de duas grandes amigas, dois grandes corações que cruzaram meu caminho no Concordia e que acolheram minha dor, respeitaram meus momentos de solidão e me provaram que perto do mar tudo estaria bem. O Fernando (colombiano) viveu aqui no Brasil um tempo também, e nesta fase contei com o apoio de um cara muito especial que fala diversas línguas e tem um coração gigante, cria do Discordia também.
Assim foi, escrevo pra vocês de Floripa, 6 meses já se passaram e estou aqui de English teacher de uma grande escola de inglês. Cada um de nós tomou seu rumo, mas ainda espero reencontrar muitos de vocês.
OBRIGADA pelo carinho brasileiro, pela amizade gratuita e por tudo que vocês me ensinaram. LEVO VOCÊS NO MEU CORAÇÃO ONDE QUER QUE EU VÁ.
Com amor,
Ana Clara Tellini Figueredo
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28/04/2011
EU QUERO...
MAS NAO CONSIGO.
me pergunto se ainda tem alguem interessado em saber da vida de bordo...
me pergunto se ainda tem alguem interessado em saber da vida de bordo...
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